Linha do tempo da história de Vacaria:

Por Rafael Lisboa Grazziotin

Lendas e Histórias de Vacaria

Desde os mais remotos tempos Vacaria foi envolvida por lendas e histórias de mistérios que ainda hoje assombram e vislumbram o imaginário de seus moradores. Histórias de aparições em cemitérios, panelas de ouro que aparecem nas matas e sobre taipas antigas, túneis construídos nas épocas das revoluções, enfim, uma infinidade de relatos que despertam e aguçam a nossa curiosidade. Como historiadora , procurei investigar algumas dessas histórias, contendo depoimentos de quem presenciou “o fenômeno”. Devo confessar que sempre fui cética nesses assuntos, mas um fato e também presenciei me fez repensar algumas coisas.

Das poucas fazendas antigas que ainda restam em Vacaria, uma delas me deixa fascinada. É um patrimônio fantástico que nem o próprio tempo consegue apagar, A Fazenda da Estrela. Conforme documentação encontrada, sua sede já existia desde 1894, data em que foi inventariada, em virtude do falecimento do seu primeiro proprietário, Fidélis José Ramos, avô do primeiro Historiador que Vacaria teve, Manoel Duarte.

Conforme Relatos orais, na Revolução de 1893 (Revolução de Degola), A Fazenda da estrela foi invadida pelas tropas do governo provisório, havendo no local um combate com inúmeras mortes, inclusive o próprio Coronel Fidélis. Existem no local uma lagoa e próximo dela uma vala em que supostamente foram enterrados os mais de 100 corpos, dentre eles algumas crianças e escravos. Criou-se em torno da fazenda da estrela um misto de real e imaginário popular repleto de lendas de mistérios e assombrações, onde quem a visita acaba se envolvendo com suas memórias.

Mas o fato mais interessante que presenciei foi dentro do sobrado. Estava realizando minhas pesquisas, acompanhada de um colega. O mesmo não quis subir para o andar superior e preferiu ficar na varanda observando a mobília. Pois bem, subi até o local onde comentam que houve a tal degola. Realmente, o lugar é angustiante, tive muitas sensações estranhas e resolvi descer as escadas. A sensação que tive é que alguém me acompanhava quando descia a escada, sentia uma mão no meu ombro direito, um peso insuportável, só passou quando fui para a varanda. Lá encontrei meu colega, que estava pálido, quase não conseguia falar. Perguntei se ele estava bem e apenas respondeu que precisava ir embora, pois tinha compromisso. Permaneceu calado até a cidade. Passando uma semana foi até o museu onde trabalho e me relatou o que tinha acontecido naquele dia. Disse que quando estava na varanda do nada apareceu um vulto de uma moça que passou por ele e desapareceu. Jurou de pé junto que fora a verdade. A partir daquele momento nunca mais duvidei dos relatos que as pessoas me contam, não é uma simples historinha, ela vem acompanhada de emoções que levam a uma reflexão dos fatos ocorridos no passado.

Na Europa, explorar o imaginário faz parte do turismo. Os turistas gostam de histórias de mistérios e assombrações, é um mundo à parte do nosso. Infelizmente, a realidade é outra em nossa cidade, A Fazenda da estrela não é aberta para visitação, pois os proprietários são contra e temos que respeitar. Com isso perde-se um grande potencial histórico e turístico a ser explorado em nossa região, mas uma coisa é certa: os fantasmas, ou chamem como queiram, continuam lá a nossa espera.

Por Fernanda Lisboa Vieira – Historiadora

*Artigos publicados na Revista Alto da Serra, 3ª edição, Novembro de 2010.

Coronel Libório Rodrigues – Um Marco na História de Vacaria

Por Fernanda Lisboa Vieira – Historiadora